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O Motivo da Menstruação Femenina
por Isabel Aguirre

Foi feito um ritual de adivinhação para um caçador, mas ao estar acompanhado de sua esposa, foi-lhe pedido que ela não ouvisse o pacto nem presenciasse o ritual. A mulher se sentiu ofendida e ficou muito curiosa. O caçador acabou pactando com as Iyamis-Oshoronga - As Anciãs da Noite - de forma que ele pudesse caçar com êxito cada vez que saísse para a floresta. As Anciãs da Noite lhe proveriam toda a caça que ele desejasse, mas como pagamento, o caçador deveria entregar à elas todo o sangue dos animais caçados. 

A mulher do caçador ficou intrigada porque seu marido sempre trazia os animais caçados sem a cabeça. Um dia decidiu seguir o caçador e vigiar como caçava e o que fazia com os animais. 

As Anciãs da Noche avisaram ao caçador que ele estava sendo seguido, e pediram para que ele avisasse sua mulher que desistisse de agir assim.  O caçador comentou com sua mulher e pediu que parasse de seguir seus passos enquanto caçava na floresta; e a mulher prometeu que não mais o faria. 

No dia seguinte, o caçador saiu para sua caçada diária e sua curiosa mulher decidiu ir atrás dele, ignorando as advertências. Uma vez no bosque, quando o caçador terminou de caçar as suas presas do dia, foi em busca das Anciãs da Noite para cumprir com seu pacto.  Elas extraíram o sangue dos animais jogando o sangue dentro de um caldeirão de barro. 

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De repente As Anciãs da Noite perguntaram ao caçador se ele as estava desafiando ao trazer uma pessoa com ele.  Franzindo a testa o caçador respondeu que não tinha trazido ninguém com ele, que tinha vindo só, como sempre.  As Anciãs pediram ao caçador que saltasse em direção a uns arbustos e descobrisse quem se escondia ali.   Surpreso viu a sua mulher e ordenou a ela que saisse e se mostrasse às Anciãs.  O caçador pediu clemência às Anciãs para que não matassem a sua mulher, mas as Anciãs responderam que no seu mundo não existia o perdão. 

Como castigo à curiosidade da mulher, as Anciãs decidiram que ela deveria pagar um alto preço.  Seu marido implorou que não levassem sua mulher do lado dele, pois ele sempre havia cumprido com o pacto.  As Anciãs se reuniram para decidir que tipo de castigo poderiam aplicar a curiosa mulher sem que fosse a morte.  Decidiram então que a mulher deveria beber todo o sangue do caldeirão. 

Imediatamente após ingerir o sangue, a mulher começou a sofrer paralisia, perda de sangue e ficou muito doente.  O caçador não conseguia mais caçar porque precisava cuidar de sua mulher. Todas as entidades da noite tinham virado as costas para o caçador. Depois de tanto sofrimento o caçador voltou varias vezes a implorar o perdão e numa dessas vezes aceitaram em fazer outro pacto:  o pagamento de uma penalidade para acalmar as entidades da noite. 

Como castigo condenaram a mulher e todos os seus descendentes femeninos a sangrar uma vez ao mês, pelos séculos sem fim. 

Assim conta a lenda, e todo homem que tem uma mulher curiosa, deve tomar cuidado e oferecer de ante mão um bode a Exú, para que ele possa impedir a mulher em tempo e fazer com que ela desista de ser curiosa, ou que passe despercebida, sem ser descoberta, e não possa assim, ferir aos deuses da noite. 
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Lenda da cultura brasileira, adaptada por Isabel Aguirre.  
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Conselho do dia: Sentir curiosidade é bom, mas violar as leis pode trazer conseqüências nefastas. 


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